[ Dicas ]
Se tudo que você costuma filmar são clipes de seu bicho de estimação para mostrar no YouTube, pode ser que qualquer filmadora sirva. Mas se a intenção é registrar os primeiros passos do seu filho ou o casamento de sua filha, é bom garantir que a filmagem possa ser vista daqui a uns 20 ou 30 anos, que é justamente quando será mais prazeroso relembrar os momentos do passado.
Claro que, até lá, os formatos de vídeo digital de hoje em dia serão peça de museu. Mas dá para escolher uma câmera razoavelmente à prova de futuro seguindo três conselhos básicos:
- Compre a de melhor qualidade de imagem que puder pagar;
- Capture em um formato amplamente difundido;
- Use mídias de armazenamento de durabilidade comprovada.
Nenhuma camcorder que testamos obedece fielmente a todos esses critérios. Mas, diante de uma enorme quantidade de ofertas, a obediência a esses três preceitos ajuda a refinar as possibilidades de escolha.
Para obter a melhor qualidade de imagem (e de reprodução com qualidade máxima, bem do jeito prometido por aquela magnífica TV de tela grande que você acabou de comprar), a dica é exigir alta definição – ou, no inglês, High Definition (HD).
São dois os principais formatos de vídeo HD em camcorders amadoras: o HDV, que surgiu em 2004 e usa o mesmo tipo de cassetes MiniDV do formato DV original (que, aliás, foi extremamente bem-sucedido); e o AVCHD (de Advanced Vídeo Codec High Definition), um formato ainda imaturo que surgiu em meados de 2006 e que pode ser gravado em mídias como DVD, disco rígido e memória flash.
AVCHD e HDV: o confronto
O AVCHD tem muitas (e boas) vantagens sobre o HDV: um algoritmo de compressão mais eficiente, que usa menos espaço por minuto de vídeo (um ponto importante para o armazenamento de longo prazo); transferências de arquivo da câmera para o computador com um arraste-e-solte, que é até dez vezes mais rápido que o HDV; e mídia de acesso aleatório evidentemente superior ao velho rebobinamento de fitas.
Como o AVCHD usa a mesma compressão MPEG-4 do Blu-ray, você também poderá tocar os discos AVCHD em tocadores Blu-ray sem necessidade de recodificá-los, o que é uma mão na roda. Tudo indica que, no campo dos vídeos amadores, este será o formato predominante. Mas o HDV ainda não morreu – e, para ser honesto, ainda pode ser a escolha mais adequada.
O HDV permanece como opção por três razões. Primeiro, a melhor camcorder amadora HDV ainda oferece uma qualidade de imagem superior ao dos melhores modelos AVCHD (apesar de o AVCHD ser continuamente melhorado). E as camcorders HDV de nível profissional já lugar-comum na produção de TV, ao passo que só agora surgem as primeiras câmeras AVCHD profissionais.
Em segundo lugar, apesar da forma lenta e antiquada de transferir arquivos para o PC, a fita MiniDV usada pelo HDV é, ela mesma, ideal para armazenamento de longo prazo – pode-se simplesmente jogá-la na gaveta depois que a tiver editado. Uma fita de 60 minutos custa cerca de 15 reais.
O AVCHD, por sua vez, requer que se queime discos ópticos para armazenamento prolongado, ou que se reserve um bom espaço no disco rígido, ano após ano. Um disco rígido de 1 terabyte vai guardar cerca de 125 horas de vídeo AVCHD com o bit rate máximo atual de 17 megabits por segundo (Mb/s), mas será preciso o dobro disso para backup.
As fitas também são mais práticas nas viagens, já que pode ser difícil ou até impossível descarregar os vídeos de seu disco rígido ou do cartão de memória.
O terceiro motivo – e uma boa razão para adiar a compra de uma camcorder AVCHD, por enquanto – é a imaturidade do formato AVCHD. A maioria dos softwares de vídeo para amadores só agora começa a ser compatível com o AVCHD, e mesmo esses podem não tirar total proveito do potencial de sua câmera e dos modos de filmagem.
Por exemplo, um programa pode lidar com AVCHD a 1.440x1.080 pontos a 60 frames entrelaçados por segundo (60i), mas ignorar as variações, como a nova resolução de 1.920x1.080 pontos ou o frame rate de 24p (progressive scan).
Para usar o AVCHD na versão mais recente do Windows Movie Maker, será preciso convertê-lo primeiro, o que resulta em perda de qualidade da imagem. Além disso, o AVCHD ainda não alcançou seu potencial em termos de qualidade.
Embora as especificações do formato prevejam bit rates de até 24 Mb/s, há apenas um punhado de câmeras que suportam no máximo de 15 a 17 Mb/s. E nenhuma camcorder AVCHD amadora oferece ainda suporte verdadeiro à resolução de 1080p que provavelmente sua TV de alta definição é capaz de exibir.
Tudo isso, claro, deverá mudar em um ou dois anos, à medida que as camcorders AVCHD se aproximem das especificações máximas de bit rate e frame rate, e quando a compatibilidade dos softwares em relação a esses recursos se tornar mais generalizada. E os preços também tendem a continuar em queda.
Veja na tabela abaixo um resumo comparativo entre os dois formatos.

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