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[ Games ]

Inovador, Super Mario Galaxy 2 mantém aura familiar

GamePro / EUA
02-06-2010
Ben PerLee

Jogo para Wii, já disponível no país, mistura novas opções de jogabilidade com elementos marcantes da série; maior nível de dificuldade pode afastar novos jogadores.

Super Mario Galaxy 2” é realmente um bicho raro. Afinal a Nintendo, produtora de jogo, está mais do que feliz em repetir extensivamente grande parte de suas maiores franquias, e os games 3D de Mario nunca ficaram muito longe da norma estabelecida. Mas, surpreendentemente, a companhia japonesa parece ter encontrado criatividade suficiente no universo de Mario Galaxy para criar uma viagem completamente nova. Eu tinha certeza que a Big N iria requentar a maioria, senão todas, as mesmas ideias colocadas no primeiro jogo, mas felizmente existe muito pouca repetição nesta sequência para Wii.

Apesar de ser corretamente reverenciada como uma das maiores e mais icônicas franquias de games da história, "Mario", na verdade, não é nada mais do que uma série de clichês familiares colocados em sequência. Tem sido assim desde o início, com as únicas exceções sendo “Super Mario Bros. 2” – uma versão reprogramada de um game japonês chamado “Doki Doki Panic 2” – e o tematicamente único “Super Mario Sunshine”. Quase todos os outros títulos principais seguem uma mesma lista de idéias fundamentais, desde explorar a habilidade de pular de Mario para ditar a jogabilidade, até um enorme "mapa mundi" que abriga fases separadas. Desvie-se muito desses temas e você pode provocar a ira dos fãs, além de potencialmente também privar o jogo de coesão. Dessa maneira, muitos dos inimigos, poderes e ícones continuam os mesmos a cada lançamento da saga.

A maioria dos jogos do gênero segue esse caminho, oferecendo uma experiência estabelecida com uma variedade de poderes (power-ups) e novas habilidades para manter as coisas interessantes, e normalmente existe um claro conjunto de ideias que amarra tudo isso junto. Então, o que torna “Galaxy 2” um animal tão raro é que ele demonstra um claro desprezo pelas regras, assim como pela ideia de consistência mecânica. Uma hora Mario está escalando as passagens de uma casa fantasma, em outra ele está perfurando um planeta e forçando jogadores a se fixar no conceito de gravidade mutável. Logo depois disso, ele está saltando sobre Yoshi e carregando entre potenciais armadilhas mortais, e então fazendo um retorno familiar para um estágio de “Super Mario 64”, para um pouco de aventura old school. O grupo principal de ideias que tornam Mario um “Mario” ainda estão lá para atuar como a cola para todas essas experiências, mas cada uma é extremamente diferente do resto.

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 Em novo jogo, Mario pode trocar de jogabilidade a cada fase.

Determinados elementos são reciclados por toda a aventura, mas a Nintendo reavalia constantemente os limites dessas ideias no ar. “Galaxy 2” parece familiar, mas há muito mais coisas novas e diferentes; ele vai contra a definição de um jogo de Mario, assim como o gênero da plataforma. Um dos estranhos efeitos colaterais disso tudo é que é difícil amar ou odiar de verdade qualquer elemento em particular. Como a esquizofrênica série “Wario Ware”, a jogabilidade aqui é tão desigual que elementos dos quais você gostar podem ser vistos uma vez e então sumir para não voltar mais; sendo que o mesmo acontece com o oposto, uma vez que os conceitos que não lhe agradam também vão sumir em um piscar de olhos. Cada fase de galáxia exemplifica uma ou outra ideia, mas como só existem quatro estrelas por galáxia, não há uma chance real de se focar totalmente e apreciar alguma coisa. Isso significa que o jogo precisa ser apreciado como um todo em vez de pedaços individuais, e na maior parte do tempo isso funciona. Mesmo quando não funciona, esses momentos passam tão rapidamente que não afetam negativamente sua percepção geral do game.

Após terminar “Galaxy 2”, eu percebi o quão corajoso o jogo é. Que ele tente se apoiar sobre uma fundação de jogabilidade constantemente mutável fala sobre a audácia da desenvolvedora, e que ainda assim seja bem sucedido fala sobre o domínio de sua arte por Miyamoto e sua variada equipe. Novas maneiras de jogar são mostradas, rapidamente dominadas, e jogadas fora ao final da fase. O ritmo do jogo é ajustado à velocidade da luz, e o sentimento é de constante liberdade. Raramente você vai ver a mesma técnica utilizada mais do que duas vezes, e quando ela é, o desafio resultante disso lembra os jogadores de que, na verdade, eles não dominaram nada.

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 "Super Mario Galaxy 2" é uma tentativa audaciosa da Nintendo em recriar o famoso personagem sem abandonar suas raízes.

Esse é um sentimento que experimentei muitas vezes enquanto jogava. O primeiro “Galaxy” trouxe os jogadores a um novo mundo que mudou suas percepções de plataforma 3D, mas nunca pediu a eles para fazer malabarismos com tantos conceitos quanto o novo game faz. “Galaxy 2” introduz temas de design complexos como gravidade mutável e perspectivas visuais curvas, e então pede para você dominá-los em questão de minutos. Essa filosofia também se aplica aos poderes (power-ups). Nos jogos anteriores de Mario, os power-ups atuavam como um suporte proveitoso para te ajudar a superar os obstáculos no caminho. Se você se debatesse por uma fase, um cogumelo ou flor de fogo poderiam ajudar a aliviar o problema. Nada disso na série Galaxy: cada poder é apenas um meio para um fim. Em vez de tornar as coisas mais fáceis, eles agem como modificadores que simplesmente reinventam algum aspecto do jogo. Mesmo a prematura inclusão de Luigi é apenas um catalisador para adicionar novos desafios, e os gamers só podem contar com sua própria habilidade para chegar ao final do jogo.

Estou espantado pelo nível de dificuldade apresentado pelo game, uma vez que isso torna o que deveria ser um jogo muito amigável em algo muito mais difícil do que um gamer médio – digamos, uma grande parcela da recente audiência da Nintendo – esperaria. Os dois primeiros mundos não são muito difíceis, mas a partir do terceiro fica complicado até para os melhores jogadores.

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 Maior nível de dificuldade pode afastar jogadores mais novos de "Galaxy 2".

No final das contas, a Nintendo apresenta uma criatura que possui comportamento e visual muito familiares, um game confortável e convidativo que é instantaneamente reconhecível. “Galaxy 2” é um constante dilúvio de novas ideias que são bem-sucedidas – não porque estão colocadas em uma franquia – mas porque está ele completamente disposto a se reinventar enquanto isso.

Super Mario Galaxy 2
Fabricante: Nintendo
Pontos fortes: Uma divertida reinvenção da franquia que constantemente desafia sua própria identidade com sucesso, apesar...
Pontos fracos: ...da dificuldade aumentada e da alta proficiência exigida poderem afastar novos fãs.
*Avaliação final  9,0
Preço: R$219 a R$262
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