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Apesar de não ser necessariamente revolucionário ou inovador, o mais recente episódio da clássica série “Dragon Quest”, da Square Enix, dá alguns passos ambiciosos graças à sua a aventura cooperativa (co-op) e os impressionantes gráficos 3D.
É difícil falar sobre “Dragon Quest” sem mencionar sua presença enorme no Japão, onde ultrapassou o status de série de games para se tornar uma instituição cultural, semelhante às franquias “Guerra nas Estrelas” e “Harry Potter” na América do Norte. A produtora Square-Enix sabe muito bem que o enorme público japonês de “DQ” possui determinadas expectativas pelos jogos, e não quer arriscar perder sua audiência. Desta maneira, a empresa raramente se arrisca em mudar a mecânica do núcleo do jogo dos títulos “Dragon Quest”. Em vez disso, ela prefere aumentar constantemente sua tradicional jogabilidade RPG. Posição que contrasta muito com outra série da desenvolvedora, “Final Fantasy” - uma franquia conhecida por se arriscar bastante com diferentes resultados.

"DQ" é uma criação da desenvolvedora japonesa Square Enix, que também criou a série "Final Fantasy".
Por isso, quando eu digo que “Dragon Quest IX” (DQIX) é o episódio mais radicalmente diferente da série até o momento, não significa lá muita coisa. Sua principal inovação – jogo cooperativo para quatro jogadores – é algo que ficou popular recentemente com outro megahit japonês, os títulos da série “Monster Hunter” para PlayStation Portable (PSP). Na verdade, existe muita influência de “Monster Hunter” evidente ao longo do game. Mas aproveitar uma sugestão de outros sucessos comprovados não é uma coisa ruim – especialmente quando você consegue trabalhar seus conceitos para um estilo de jogo completamente diferente, como faz “DQIX”.
Quando você começa “Dragon Quest IX”, pode criar um personagem com as suas próprias especificações, de maneira similar a um MMORPG. É então revelado que você já é um semideus, vivendo em um reino nas nuvens e incumbido de ajudar os mortais lá embaixo, trabalhando para ganhar afeto e abrir o caminho para onde vive o Todo Poderoso. Isso é, antes que seu reino sagrado imploda, te mandando para a terra lá embaixo sem muitos de seus poderes sobrenaturais. Fica a seu cargo resolver o mistério por trás da destruição de sua terra natal, e dominar o caos que se abate sobre o reino dos mortais.

"Dragon Quest IX" para DS prima pelos ótimos gráficos.
O que vai te impressionar imediatamente é a parte visual de “Dragon Quest IX”. É de longe o game com melhor visual para DS no mercado, mas também mostra a idade do sistema. Os backdrops e modelos de personagens são fantásticos, mas as quedas no número de quadros e redução de velocidade durante ações pesadas são algo comum de modo agravante. A música também faz jus aos padrões normalmente altos da franquia “DQ”, com temas familiares e novos aparecendo ao longo do game.
Mas você poderia criar um novo “Dragon Quest” em HD (alta definição) e ele ainda seria o mais parecido possível com um RPG firmemente tradicional: batalhas em turnos guiadas por menus, jogabilidade e história do tipo “faça X, mate Y, então vá para o local Z”, um grupo de personagens criados pelo usuário sem nenhum diálogo real ou impacto na história, e algumas habilidades simples. E como os clássicos de RPG, o game demora um pouco para engrenar. Ele parece estar "enrolando" nas primeiras horas, mas uma vez que você ganha a habilidade de formar um grupo maior, as coisas começam a andar consideravelmente.
Infelizmente, esperar é algo meio normal por aqui, uma vez que leva um considerável tempo de jogo (15-20horas) antes que você possa explorar completamente o sistema de classe. Esses elementos não são tão desagradáveis quanto, digamos, esperar que todas as suas opções de combate sejam abertas em “Final Fantasy XIII”, mas eles ainda parecem com truques baratos para te manter artificialmente viciado no mundo do jogo antes que ele fique mais aberto.
O que torna “Dragon Quest IX” interessante é o muito pomposo aspecto multiplayer. Você pode convidar amigos para participar do seu grupo ou entrar para um grupo de jogadores (até quatro) e partir para a aventura. Jogadores individuais podem se empenhar em exploração e batalha como equipe ou sozinhos, e um conveniente recurso “chamado às armas” (call to arms) permite que o anfitrião convoque todos os jogadores no jogo para o seu lado não importando em que lugar do mundo eles estejam. O combate no modo multiplayer acontece de modo surpreendentemente rápido – a não ser que um jogador simplesmente não consiga decidir qual ataque usar, você não ficará entediado esperando até que todos escolham suas estratégias.

Primeiro título da série "Dragon Quest" foi lançado em 1986.
Existem problemas, no entanto: o multiplayer é apenas local, o que significa que você terá de convencer seus amigos/companheiros de trabalho a comprar o jogo e se reunir para as sessões de jogo. (Também precisarão ficar próximos, uma vez que estarão discutindo táticas de batalha uns com os outros.) A ênfase no multiplayer é tão grande que pode ser difícil passar pelo game sozinho – o jogo espera que você suba de nível mais rapidamente ao aproveitar muitas vezes os bônus do modo cooperativo. Se você não planeja jogar nunca com os seus amigos durante a sua aventura, precisará ralar de verdade para ganhar níveis (level-grinding) de vez em quando.
“Dragon Quest IX” é como um carro clássico que foi restaurado recentemente: pode haver algumas coisas novas no motor os enfeites adicionais, mas ainda é o mesmo veículo de anos atrás. Isso não é algo inteiramente ruim. O apelo de “Dragon Quest” está em seu senso de familiaridade acolhedora. Ele é refrescantemente livre de pretensão e de filminhos extensos de muitos títulos da safra atual de RPGs japoneses. Em vez disso, ele apresenta uma aventura despreocupada e agradável, similar ao que tornou o “Chrono Trigger” original um clássico tão adorado. A ambientação em estilo de desenho e personagens com visuais deliciosamente bobos dão aos títulos “DQ” uma atmosfera e apelo diferentes, sendo algumas das principais razões pelas quais a série continua a fazer sucesso.
Dragon Quest IX: Sentinels of the Starry Skies
| Fabricante: | Square Enix |
| Pontos fortes: | Modo multiplayer é divertido e bem-desenvolvido, ótimo visual e música, excelente localização, design e configuração do mundo são agradáveis. |
| Pontos fracos: | Lento em muitos pontos, pode deixar desemparadas as pessoas que não estão interessadas no modo multiplayer. |
| *Avaliação final | 8,0 |
| Preço: | Entre 65 e 140 reais |
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