Chegada a novos mercados deve enfrentar dificuldades regionais; no Egito, por exemplo, o importante é ter uma boa câmera.
A Orange anunciou nesta sexta-feira (16/05) que venderá o iPhone na Europa, no Oriente Médio e na África. Porém, o estilo do aparelho pode não atrair alguns desses mercados. No Egito, por exemplo, o que importa é ter uma boa câmera.
Como em outros anúncios de acordos para distribuição do iPhone, não foram divulgados detalhes: a Orange disse apenas que até o final do ano levará o celular da Apple para Áustria, Bélgica, República Dominicana, Egito, Jordânia, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Suíça, e a países africanos como Senegal, Quênia e Mauritânia.
A expansão na África é parte importante da estratégia da Apple, mas vender o aparelho nessa região provavelmente será um desafio, não apenas por ele ser um gadget caro.
“Com meu celular da Nokia eu posso tirar fotos à noite”, disse Ragia Mustafa, participante de uma banca da Conferência ITU África Telecom 2008, que aconteceu nesta semana, no Cairo. O iPhone não inclui flash específico para foto noturnas.
Mustafa também não gosta do fato de ter que usar o iTunes para carregar músicas no telefone: em outros aparelhos, arquivos de músicas são simplesmente copiados, como se o celular fosse um dispositivo de armazenamento USB.
A preferência por uma boa câmera é consenso entre jovens egípcios. Para eles, o acesso fácil e rápido à internet, um dos principais atrativos do celular da Apple, não é tão essencial quanto à câmera.
Mas com um fato a Apple pode se alegrar: os egípcios que estavam na ITU sabiam o que era o iPhone, portanto a fama do aparelho conseguiu se espalhar na região.
A Nokia levou a atenção dos fabricantes para os consumidores africanos, e o mercado está começando a perceber um ciclo de reposição – mas Nokia, LG e Samsung têm mais vantagens do que a Apple, segundo Bem Wood, analista da CCS Insight.
“O lançamento do iPhone na África é essencialmente estratégico; e lá há grande quantidade de pessoas com muito dinheiro”, ele disse.
Recentes análises sobre o iPhone deram ênfase às carências do aparelho e às expectativas em relação ao modelo com suporte a redes 3G.
Os anúncios de distribuição do celular por várias operadoras colocam cada vez mais pressão na rede de abastecimento da Apple, mas analistas acreditam que a empresa está preparada para um considerável aumento na demanda.
“Obviamente, o crescimento é esperado. Porém não devemos esperar recordes todo trimestre”, disse Carolina Milanesi, analista da Gartner.