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Conheça melhor o E-Cipó, o dispositivo vencedor do concurso da AMD

Por Mário Nagano
14-12-2006

Proposta do E-Cipó é permitir o acesso à internet em zonas rurais ou em comunidades remotas, onde exista ao menos energia elétrica

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Proposta do E-Cipó é permitir o acesso à internet em zonas rurais ou em comunidades remotas, onde exista ao menos energia elétrica

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Se comparado com alguns de seus concorrentes, o E-Cipó impressiona pela simplicidade do seu design. Com seu gabinete verde de linhas suaves e teclado de membrana branco, a máquina pode passar a falsa impressão de se tratar de um brinquedo de plástico. A escolha do layout é proposital, já que ele procura a empatia de um público que poderia se sentir intimidado por um equipamento formal, quadrado ou cheio de luzes ou cromados.

De fato, comentou-se que sua cor cítrica seria particularmente atraente para crianças, e isso facilitaria o envolvimento delas com o produto. Curiosamente, é a mesma cor usada no notebook educacional XO da fundação OLPC de Nicholas Negroponte (link).

O E-Cipó utiliza uma placa-mãe de referência da AMD com processador Geode NX DB1500, chipset SIS e 1 GB de memóra flash, quantidade suficiente para abrigar uma versão do Linux Mandriva e um navegador web Firefox da fundação Mozilla. Segundo membros do grupo, a idéia é que a oferta de  aplicativos como editor de textos seria por meio de aplicações on-line, seguindo a filosofia da Web 2.0.

Dependendo do uso, poderia-se optar por outras versões do Geode como o NX 1250@6W de baixo consumo e o NX 1750@14W de melhor desempenho.

O uso de memória flash em vez de um disco rígido é particularmente interessante nesse projeto, já que torna o E-Cipó mais resistente a maus tratos, como quedas acidentais.

Fora isso, a versão apresentada veio equipada com webcam, dispositivo apontador do tipo trackball, porta USB e um teclado com acentuação em português (ABNT) com a tecla Enter ligeiramente deslocada para o canto superior direito, mais perto do polegar de uma pessoa que segurasse o dispositivo pelos lados.

Mas, apesar de sua grande mobilidade, o E-Cipó não funciona com bateria e sim ligado à rede elétrica. Como ele foi feito para funcionar próximo à TV, o uso de bateria não faz muito sentido e sua ausência ajudou a baratear o projeto. Estima-se que o custo do E-Cipó ficaria em torno de 100 dólares por unidade; em alta escala, esse valor poderia chegar a até 80 dólares.

Como a Unicenp faz parte do grupo Positivo, os estudantes receberam ajuda da Positivo Informática, principalmente na orientação de como elaborar o modelo de negócios. Apesar de não haver nada de oficial, tal proximidade poderia facilitar a fabricação e venda do E-Cipó.

Quem usaria o E-cipó

Segundo Renato Barreto, coordenador do curso de desenho industrial do Unicenp e um dos coordenadores do projeto, a grande proposta do E-Cipó é permitir o acesso à internet em zonas rurais ou em comunidades realmente remotas onde exista pelo menos a oferta de energia elétrica.

E, como quase todas as casas com luz elétrica também têm uma TV ligada, percebeu-se que esse eletrodoméstico poderia fazer o papel de monitor de vídeo — situação que remonta aos primeiros microcomputadores pessoais e conceito que sobrevive até hoje nos videogames.

Durante o planejamento do projeto considerou-se até o uso de TVs preto e branco, mas a idéia foi abandonada, contou Barreto.

Acessar a internet pela TV também não é uma idéia nova, mas nunca obteve sucesso devido à baixa resolução do padrão de TV (525 linhas no sistema PAL-M), que gera imagens de qualidade sofrível se comparado com os atuais PC degradando em especial a legibilidade dos textos.

A solução encontrada pelo grupo do E-Cipó foi criar um portal na internet com conteúdo especialmente formatado para funcionar em aparelhos de TV. Com isso, o projeto pode tornar-se uma verdadeira rede de conhecimento e integração social, cujo conteúdo poderia ser fornecido por entidades públicas ou mesmo instituições de ensino.

Um exemplo de aplicação do E-Cipó é o atendimento médico remoto: profissionais de saúde poderiam atender pacientes em locais remotos via teleconferência por meio de uma pequena webcam integrada ao produto.

Outra sacada desse projeto é a de transmitir o sinal do E-Cipó por meio de um transmissor UHF como fazem as estações de TV, o que facilitaria a sua instalação e uso. O acesso à internet seria feita por meio de um telefone celular com interface GPRS.



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