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Web carece de profissionais experientes; salários chegam a R$ 20 mil

Clayton Melo, do IDG Now!
03-11-2009

Com o rápido avanço da internet, falta mão-de-obra para algumas funções; conheça as oportunidades e como se preparar para elas.

Basta uma conversa rápida com executivos de internet para que se ouça a seguinte queixa: faltam profissionais para determinadas áreas. E o motivo é fácil de entender. Por se tratar de um mercado relativamente novo e que cresce a passos largos, a formação não acompanha o mesmo ritmo.

Para completar o quadro, são atividades altamente qualificadas e que demandam competências específicas. Em resumo, este é um segmento com excelentes opções que podem ser exploradas tanto para quem deseja melhorar sua posição nesse mercado, caso já trabalhe com a internet, ou até para ingressar nele.

Arte e criação
O sócio da agência digital iThink, Marcelo Trípoli, observa que até bem pouco tempo atrás a maior demanda era por gente especializada em atividades de tecnologia de produção, como programação e análise de sistemas. Hoje, o cenário é outro. “O mais difícil agora é encontrar profissionais para posições mais conceituais, como criação, planejamento e arquitetura da informação, principalmente com experiência nessas funções”, afirma.

A remuneração oscila muito, dependendo de fatores como tempo de atuação e premiações obtidas. No caso de criação, que se divide em redator e diretor de arte, por exemplo, o salário pode ir de 2 mil reais, para um iniciante, a 20 mil reais, para pessoas experimentadas e com trabalhos reconhecidos. “Se estivermos falando de um designer gráfico que se relacione mais com o trabalho estético, por exemplo, o salário não vai ser tão bom quanto o de um diretor de arte premiado e que elabore projetos mais sofisticados”, diz. Trípoli

Planejador digital
A área de planejamento também é crítica no segmento internet. O sócio da iThink argumenta que, durante um certo período, a web era vista como um campo eminentemente de produção, ou seja, que recebia uma demanda para um trabalho e o executava – criação de sites ou peças para campanhas online  -, sem a necessidade do desenvolvimento de uma estratégia digital.

Com a evolução do setor, os clientes passaram a demandar projetos mais elaborados e que exigem cuidado maior com o planejamento de longo prazo. “É por isso que ainda não há muitos planejadores digitais experientes”, reforça. Segundo ele, um profissional com três ou quatro anos de trabalho nessa função – o que é visto como uma boa  experiência – tem um salário médio próximo a 10 mil reais.

Arquiteto da informação
César Paz, sócio da agência digital AG2 e presidente da Associação Brasileira de Agências Digitais (Abradi), chama a atenção para a escassez de planejadores. Nesta categoria estão incluídos o gerente de projetos e o especialista em comunicação digital, cujos  salários variam entre 5 mil reais e 10 mil reais, em sua estimativa. "O planejador e o comunicador digital devem ter conhecimento da comunicação tradicional, mas com uma visão sobre o controle da marca no ambiente digital”, diz.

O arquiteto da informação é outra figura cobiçada. Responsável pela análise, design e a implementação de espaços informacionais, como sites e bancos de dados, esse profissional pode ter um salário que vai de 3 mil reais, para iniciantes, a 8 mil reais em média, diz Paz. “São várias as atividades com falta de mão-de-obra. A demanda cresce mais rapidamente que a formação”, afirma.

Pesquisa
É por essa razão que a Abradi, entidade fundada em março, quer investir na capacitação profissional e no mapeamento de cargos e salários do setor. A entidade deve apresentar em breve o resultado de uma pesquisa com 120 associados para conhecer melhor as políticas salariais e de carreira das empresas do mercado de internet no Brasil. Assim, as companhias do setor terão novos parâmetros para definição de suas políticas de recursos humanos.


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