[ Reportagens ]
Até
onde sua empresa pode crescer sem ter os equipamentos e programas que
respaldem suas atividades? A pista pode estar em um estudo da Microsoft
intitulado A Importância da TI das Médias Empresas. Segundo o
levantamento, as companhias de médio porte que investem em tecnologia
da informação têm índice de crescimento anual de 14,4%, viabilizando
sua expansão de forma mais rápida e efetiva do que os concorrentes que
não se beneficiam das aplicações tecnológicas. Nas pequenas empresas a
situação não é muito diferente.
Aí vem a segunda pergunta: como levantar fundos para
investir em tecnologia? A saída pode estar nas linhas de financiamento.
Para não comprometer o capital de giro ou o fundo de reservas de
pequenas e médias companhias, fabricantes oferecem financiamentos de
hardware e software com juros mais acessíveis que os praticados pelo
mercado.
Fabricante nacional de computadores e servidores, a
Syntax lançou uma linha de crédito com financiamento pelo Cartão BNDES,
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Com esse
cartão, é possível adquirir um equipamento em até 36 parcelas fixas e
com uma das menores taxas de juros do mercado (1,39% ao mês).
Quase 50 milhões de reais já foram destinados pelo banco apenas na área
de informática.
De acordo com o diretor comercial da Syntax, Cláudio Dias,
o Cartão BNDES é uma das melhores formas de financiamento para o
segmento de micros, pequenos e médios negócios. “Ele funciona como um
cartão de crédito convencional, com um limite de 100 mil reais”,
explica Dias. Segundo ele, a Syntax conta hoje com quase 300 clientes
nessa modalidade, e espera movimentar 1,5 milhão de reais até o final
do ano. “Cerca de 20% das nossas vendas corporativas são por meio do
cartão, e o valor médio dos negócios é de 40 mil reais”,
completa.
Para receber o Cartão BNDES é preciso fazer o cadastro da
empresa no site www.cartaobndes. gov.br/cartaobndes. O fornecedor
dos produtos também precisa ser cadastrado e provar que está em dia com
o pagamento de tributos. O financiamento é feito por instituições como
Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Em 15 dias, o
cartão chega e as compras podem ser feitas pela internet.
De olho na linha Dell? Há seis anos, a empresa oferece
financiamento de equipamentos para pessoas físicas e jurídicas. O
limite é de 100 mil reais, e as compras podem ser feitas de quatro
formas. Na primeira delas, é possível parcelar em três vezes sem juros
pelo cartão de crédito. Outra opção é dividir em 24 ou 36 vezes com
juros de 2,29% ao mês. A terceira modalidade estabelece o pagamento em
seis vezes via Crédito Direto ao Consumidor (CDC) do banco ABN AMRO
Real, sem juros e sem entrada. A aprovação do crédito é feita em apenas
duas horas. O consumidor pode optar também por parcelar entre 9 e 24
vezes pelo CDC, com juros de 2,5% a 3% ao mês.
Depois de efetuada, a proposta passa por uma análise de
crédito e, em aproximadamente 24 horas, sai o parecer. Uma vez
aprovada, um representante do banco entra em contato para verificar a
melhor opção de coleta da assinatura do contrato e o recolhimento dos
cheques. A Dell é notificada pelo banco de que o contrato foi assinado,
e o produto é entregue no endereço indicado e no prazo combinado com o
cliente.
Mas hardware não funciona sem software. Com o objetivo de
fornecer aos pequenos e médios negócios a oportunidade de adquirir
programas originais em condições especiais, a Microsoft também mantém,
desde 2002, uma linha de crédito exclusiva para essas empresas.
Ao longo do ano, é possível financiar, junto à instituição de crédito
Finasa, a aquisição de programas em 12 parcelas, com taxa de juros de
1,99% ao mês. Nos três últimos meses do ano, o financiamento
passa a ser em dez parcelas sem juros e sem entrada.
A linha de crédito da Microsoft já beneficiou quase cinco mil empresas e movimentou cerca de 65 milhões de reais. A iniciativa é válida para aquisição de cinco ou mais licenças de programas pela modalidade Open, com valores entre 2 mil reais e 500 mil reais. Os produtos mais procurados são o Office Small Business 2003 e os sistemas operacionais Windows Small Business Server 2003 e Windows XP Professional Edition.
“A implementação de tecnologia não pode ser encarada como mais um item na coluna de despesas. Na verdade, é um investimento que deve trazer um rápido aumento na produtividade”, afirma o diretor comercial para o mercado de pequenas e médias empresas Cleber Voelzke. Apesar de parecer um negócio de risco, o financiamento revelou-se um excelente negócio para a Microsoft, com taxas muito baixas de inadimplência. “Nossos clientes pagam as prestações com responsabilidade porque conseguem programar a saída desse dinheiro. Deixamos de receber menos de 1% do que vendemos”, afirma a gerente comercial corporativa da empresa, Ana Cláudia Plihal.

Sem estourar o orçamento
O parque de computadores desatualizado da Nutrivita, Sinovo e Sinotec
comprometia o desempenho dos funcionários. Luiz Fernando Gonçalves
Ventali, coordenador de informática do grupo que reúne três empresas
das áreas de alimentação, engenharia e estruturas metálicas, decidiu
buscar alternativas mais em conta para a aquisição de equipamentos e
recorreu ao plano de financiamento da Syntax com o uso do Cartão BNDES.
“Com o preço acessível, equipamentos excelentes e a possibilidade de
financiar, trocamos 25 micros”, conta Ventali.
Segundo ele, o processo foi simples e sem burocracias: a aprovação
aconteceu no mesmo dia e o prazo de entrega de 15 dias foi obedecido.
Cada computador saiu por 1,7 mil reais, pagos em 24 parcelas com taxas
de 1,39% ao mês. “A experiência foi tão positiva que já estamos cotando
novos equipamentos”, completa.
Software a prazo
Quando precisou adquirir licenças de programas como Office, Windows
2003 Server, ISA Server e Exchange Server, no começo deste ano, Heitor
Savignano, gerente de tecnologia da agência de publicidade Fabra
Quinteiro Comunicações, de 70 funcionários, não pensou duas vezes:
recorreu ao financiamento oferecido pela Microsoft. “Compramos
aproximadamente 150 mil reais em produtos”, lembra ele. “Talvez não
tenhamos economizado propriamente, mas não precisamos desembolsar toda
a quantia de uma única vez, o que seria muito puxado para a empresa”,
explica Savignano. “Quando precisar comprar novamente, sei exatamente o
que devo fazer”, ensina.
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