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[ Reportagens ]

Três passos para uma Microsoft melhor

Por Stephen Manes
07-11-2006

Bill Gates pode corrigir o seu legado antes de se aposentar

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Bill Gates pode corrigir o seu legado antes de se aposentar

Stephen ManesNo dia 15 de junho, caso você não tenha reparado, a Microsoft anunciou que até 2008 Bill Gates deixará a gestão diária da empresa, embora continue como chairman. Ninguém pode reclamar de seu novo foco em filantropia, Bill, mas, que tal nos próximos dois anos demonstrar um pouco de amor por seus clientes? Será fácil! Basta insistirem que a Microsoft adote o mantra “Pare de fazer besteira". Veja um processo simples em três passos:

1.PARE DE SE ENGANAR

Faça um auto-exame e renegue publicamente a velha fantasia de que a Microsoft tem alguma coisa a ver com inovação. Seu negócio sempre foi pegar idéias dos outros e vendê-las com a etiqueta da Microsoft. Ponto final. Depois do CP/M veio o DOS; depois do Mac veio o Windows; depois do Palm veio o Pocket PC; depois do Netscape veio o IE. Estes são apenas os exemplos mais óbvios.

2.INSISTA EM QUALIDADE E SEGURANÇA

"Seu potencial. Nossa inspiração", dizem os anúncios, mas o verdadeiro lema deveria ser "Faça o mínimo”. Sempre que escolho um produto Microsoft, espero um design bobo ou inepto. Raramente você me decepciona. Qualidade? Nas últimas semanas, deparei com um defeito fenomenal no ActiveSync, caixas de diálogo do Windows Mobile ilegíveis porque ninguém as redesenhou para a relação de aspecto da tela do telefone Motorola Q, uma plataforma inteira – Ultra-Mobile PC – que é uma das piores experiências de computação já vistas e um tutorial do Tablet PC que ninguém se deu ao trabalho de atualizar para os novos dispositivos.

Audio players baseados no Windows Media estão sempre perdendo para o iPod, da Apple, porque o software da Microsoft é abominável. Segurança? Piada sem graça, como o programa antipirataria Windows Genuine Advantage, que o Windows Update chama de “atualização crítica de segurança". Ele é crítico apenas para as margens de lucro da empresa, ao garantir que os usuários utilizem uma versão legal do Windows – exceto, como às vezes acontece, quando o programa se engana. E pare de se vangloriar de que tem muitos testadores. Adote a idéia de que qualidade e segurança têm que ser incorporadas, e não testadas.

3.RENOVE O TALENTO

Parece que ninguém em cargos de autoridade na Microsoft é demitido. Muita gente deveria ser. Quantas vezes um produto pode alijar recursos e perder prazos antes que seus responsáveis sejam despedidos? Quantas falhas na segurança podem surgir até que seus criadores fiquem na corda bamba? E, se você quiser inovar, encontre inovadores. O CEO Steve Ballmer é um eterno admirador de qualquer coisa que a Microsoft esteja fazendo no momento.

O currículo do novo CRSO (Chief Research and Strategy Officer), Craig Mundie, inclui o decepcionante sistema operacional Windows CE, o AutoPC (ocasionalmente capacitado para reconhecimento de voz), a Web TV e a ridícula iniciativa Computação Confiável. O novo Chief Software Architect, Ray Ozzie, é um sujeito esperto e, indiscutivelmente, um programador brilhante, mas seu maior feito até agora é o Lotus Notes, produto com uma interface desprezada por pessoas que foram obrigadas a usá-lo. Será que todas as pessoas com “sangue quente” estão trabalhando no Xbox?

STEPHEN MANES É EDITOR-COLABORADOR DA PC WORLD–EUA E CO-APRESENTADOR DO PROGRAMA DIGITAL DUO, TRANSMITIDO NO ENDEREÇO WWW.PCWORLD.COM/DIGITALDUO


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1 comentário(s)
Unânime?
Concordo parcialmente com Stephen. Apesar dos problemas operacionais dos Sistemas da Microsoft, não podemos ignorar a complexidade de recursos que se escondem por trás daquele visual empolgante do Windows. Não sou adepto e fanático pelo Windows, porém, sabemos que qualquer sistema operacional que estiver no foco mundial será bombardeado por críticas, bugs, malwares, hackers e etc. Trabalho na área técnica da informática e já vi coisas que alguns usuários pensam ser lendas, como: um Linux sendo hackeado, ou o OS X travando. É claro que não com a mesma incidência do Windows. Então devemos comparar a quantidade de usuários aos erros, bugs e malwares encontrados.
Fábio - 10 Dez 2006, 10h40
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