[ Reportagens ]
PC World: O projeto começou quando?
Hofstee: Os trabalhos iniciaram-se em 2000 e, no início, tais reuniões eram bastante informais. O resultado foi a proposta de criar um chip de quatro núcleos para a Sony que, na época, foi bem aceito por todos menos Kutaragi, que sempre pensava muito além do nosso tempo e insista em uma solução mais sofisticada possível, vetando o chip de quatro núcleos.
Por causa disso, a IBM investiu em seus laboratórios de pesquisa — nessa época, em Austin — para que elaborassem propostas utilizando diversas tecnologias, como o Blue Gene, Multicore e etc. A minha idéia foi de um chip híbrido que, mais tarde, se transformou o Cell. Obviamente, esse processador recebeu a contribuição de várias pessoas, mas eu fui o idealizador do Synergistic Processor Element (SPE).
PC World: O sistema operacional preferido do Cell é o Linux?
Hofstee: Sim. Como o Cell é, em sua essência, um Power Processor, ele roda qualquer sistema operacional escrito para esse chip. Uma das decisões do nosso projeto foi trabalhar de modo colaborativo com a comunidade de código aberto.
PC World: Vocês têm um kit de desenvolvimento de software disponível?
Hofstee: Sim. Temos um SDK que já está na versão 1.1, desenvolvido em parceria com a Universidade de Barcelona. Além disso, a Sony permitiu que esse SDK com Linux fosse instalado do Playstation 3 de modo que o usuário teria um sistema dual boot. Isso é muito excitante, já que, por um custo relativamente baixo, as pessoas poderão ter acesso a um sistema baseado em Cell no qual eles poderão programar. A IBM também está disponibilizando servidores Blade com Cell para aplicações de maior escala, como o supercomputador Roadrunner.
PC World: E a Apple? Ela se interessou pelo Cell?
Hofstee: Um dos motivos porque a IBM se envolve em projetos como o Power Processor é o interesse em inovação. Tanto de cima para baixo [mainframes para servidores] quanto de baixo para cima. Na Apple, trabalhávamos com o mercado de volume [de chips vendidos]. Hoje, fazemos isso com o mercado de consoles em que o volume é muito maior, já que Nintendo, Microsoft e Sony já adotam chips baseados na arquitetura Power.
PC World: A Apple ao menos chegou a considerar essa alternativa?
Hofstee: Eles fizeram suas próprias análises para tirar suas conclusões. Quero dizer com isso que a Apple teve acesso ao Cell, mas escolheram a solução da Intel. Para saber o motivo, seria mais fácil perguntar para eles em vez de perguntar para mim... (risos).
PC World: E o futuro? O que poderemos esperar do Cell?
Hofstee: O que já divulgamos: haverá uma versão de 65 nanômetros do Cell, além de melhorias para reduzir seu custo e consumo de energia. Estamos trabalhando em uma versão capaz de realizar cálculos de precisão dupla de modo mais eficiente, além de oferecer mais memória.
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