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Conheça o chip do Playstation3 por seu criador, Peter Hofstee

Por Mário Nagano
11-12-2006

O cientista chefe do projeto Cell fala sobre a história e as novas oportunidades do chip do PlayStation 3

Temos ainda um projeto conceitual de um chip com 32 SPEs, que deve estar pronto em 2010 com dois núcleos Power (PPEs) no mesmo chip.

Obviamente, teremos muitas novidades no segmento de eletrônicos de consumo baseados em Cell. Por exemplo, sabemos que a Toshiba estuda colocar o Cell em um modelo de celular para melhorar seus recursos de multimídia.

PC World: Se não fosse pelo Playstation 3 haveria um processador Cell?

Hofstee: Não. Essa foi uma oportunidade única.

PC World: Qual a grande idéia por trás do Cell?

Hofstee: A melhor maneira para explicar isso é dizer como os processadores seqüenciais funcionam. Imagine, então, que você precise fazer um reparo na sua casa e tem um acordo com uma loja de material de construção. Assim, basta esticar o braço para fora da janela e pedir um martelo que eles vão colocá-lo em sua mão no mesmo segundo. Obviamente tal serviço não existe, mas, para que isso funcionasse, era preciso que essa loja criasse uma cadeia logística monstruosa para manter um bom estoque em todas as lojas e depósitos da cidade e poder atender todos os seus possíveis pedidos, e isso seria muito caro. É o que fazem os processadores atuais: eles procuram adivinhar o que vai ocorrer na próxima operação e colocar o martelo na sua mão. 

Isso não existe no mundo real. Em vez de parar o serviço e sair correndo até a loja todas as vezes que se precisa de pregos, cola e verniz, o melhor é fazer uma lista de compras — essa é a idéia fundamental por trás do Synergistic Processor.  Ao invés de escrever um programa do tipo "Load... Add... Load... Add...", você faz uma lista com todas as rotinas e dados que precisa e os entrega de uma só vez para os SPEs. Estes, por sua vez, solicitam informações para o memory flow control unit (unidade de controle de fluxo de memória), que entrega todo o pedido de uma só vez para a memória local (cada SPE possui a sua). 

Ao rodar o programa, os resultados são colocados na memória local e devolvidos para o memory flow control unit. Este faz o trabalho inverso: recolhe os resultados dos SPEs e os coloca na memória compartilhada. Devido a eficiência desse modelo se comparado com o seqüencial, é possível colocar quatro vezes mais SPEs na mesma área de um chip de muitos núcleos convencional de última geração. É por isso que, mesmo usando o processo de fabricação de 90 nanômetros, fomos capazes de colocar nove núcleos ao invés de dois. 

PC World: Existe algum motivo especial para o Cell ter oito SPEs? Por que não dez ou seis? Há algum limite que poderia comprometer seu preço ou o desempenho?

Hofstee: Na realidade, tínhamos algumas idéias sobre o tamanho do chip, mas quando otimizamos seu desenho chegamos a oito SPEs. Entretanto, os programadores queriam que os SPEs tivessem 256 KB de memória local em vez de 128 KB, mas para isso tivemos que reduzir o número de oito para seis (SPEs) para manter o tamanho do chip.

Mas, quando levamos o projeto para Kutaragi e mostramos tecnicamente que seis era melhor do que oito ele disse que oito era um


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