[ Reportagens ]
Há mais de 800 cursos de ensino a distância no Brasil. Mas será que eles funcionam? Veja a opinião de quem experimentou
Embora ainda enfrente certa dose de desconfiança e preconceito - quem já não ouviu a famosa pergunta no trânsito: ‘tirou a carta por correspondência?’ -, o ensino a distância no Brasil começa a ganhar adeptos em um nobre filão: o da educação superior.
Entre executivos e profissionais em um estágio mais avançado da carreira, o e-learning desponta como uma alternativa flexível de aperfeiçoamento compatível com rotinas que envolvem agendas complicadas, viagens e, de uma maneira geral, pouco tempo para dedicar à sala de aula.
Segundo o professor Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Ensino à Distância (ABED), o Brasil já tem mais de 150 instituições credenciadas para a oferta de cursos de graduação e pós-graduação latu sensu (especialização). No site da ABED, estão listados mais de 800 cursos a distância oferecidos no País.
Esta modalidade de aprendizado tem apelo especialmente junto ao estudante mais sênior não apenas pela flexibilidade nos estudos, mas pelo maior grau de maturidade e autonomia que este público tem em relação ao processo de educação. “Normalmente o ensino a distância não funciona tão bem com o público muito jovem, pois ele demanda mais apoio do professor”, explica Litto.
Mas quando se trata do ensino superior, não há fronteiras quanto à área de conhecimento para o emprego do e-learning, de acordo com o professor: “A Escola Paulista de Medicina forma cirurgiões por meio do ensino a distância”, exemplifica.
Especialista no desenvolvimento de conteúdo para ensino a distância, a designer instrucional Alessandra Zago já trabalhou na criação de plataformas para cursos de Matemática, Física a até para um curso de graduação em Letras voltado a alunos surdos, ministrado em Libras (Língua Brasileira de Sinais), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A especialista - que também já esteve na cadeira de aluna de e-learning - explica que o principal segredo para obter sucesso em um curso a distância, independente da área de conhecimento, é ter disciplina e seguir o plano proposto pelo curso. “O aluno deve ser disciplinado e participar de todas as atividades propostas, pois elas têm um objetivo. Há uma equipe trabalhando por trás de tudo o que está sendo proposto”, afirma.
Para Andréa Pontes, jornalista que está cursando curso de Educação a Distância (EaD) do Senac Rio de Janeiro - embora viva em São Paulo - a modalidade exige mais do aluno, mas também oferece mais que uma sala de aula convencional. “O aprendizado parte muito do aluno, mas em contrapartida o professor está mais acessível. Além disso, é possível trocar idéias com os colegas, a interação é muito maior”, opina.
A atenção do tutor também é mais individualizada, na opinião de Andréa, já que a participação em atividades é monitorada aluno por aluno e ao final de cada módulo do curso cada participante recebe um portfólio de avaliação comentando seu desempenho.
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