[ Reportagens ]
A jornalista está apostando no e-learning para ingressar no filão de educação e se prepara para atuar como instrutora em cursos a distância. Ex-profissional da área de aviação, Nelson Correa também investiu no aprendizado remoto e na dedicação pessoal para entrar um novo ramo: o da segurança da informação.
Quando a área de segurança despertou seu interesse, Correa aproveitou todas as informações disponíveis na internet para conhecer o segmento e se preparar para as certificações necessárias para ingressar no setor. Desde 1996 atua como profissional na área e hoje é diretor da divisão corporativa da empresa de segurança Global e-Secure.
Após a experiência de aprendizado autônomo, Correa resolveu experimentar um curso de graduação na modalidade a distância e se matriculou no de Administração, oferecida pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. “Estamos vivenciando uma revolução violenta na forma como o conhecimento chega às pessoas. Antes, estávamos restritos ao tempo médio de aprendizado de um grupo. Hoje temos a capacidade de aprender no nosso próprio ritmo”, defende.
Para João Simon de Castro, engenheiro que cursou o MBA Executivo da Fundação Dom Cabral a distância, o aluno de pós-graduação já deve ter condições de receber e assimilar conteúdos fora de sala de aula. “Mantemos grupos de discussão nos quais é possível debater temas com antecedência, amadurecendo questões antes das aulas expositivas, que são mensais”, argumenta.
A idéia é que não só professor se torna mais acessível pela plataforma de ensino a distância, mas o debate com os colegas também é fomentado. “Algumas pessoas são absolutamente tímidas para fazer perguntas em sala. Esse modelo encoraja a exposição de idéias e dúvidas. As pessoas ficam mais abertas”, defende Correa.
Embora seja um entusiasta do ensino a distância, o especialista em segurança destaca que os alunos mais jovens podem sentir falta do aspecto social do curso presencial. “A evasão entre a garotada ainda é grande, eles se ressentem da falta de contato”, opina. Após um ano de curso, Correa relata que de uma turma de 40 alunos, apenas 15 se mantiveram no grupo.
Outro fator negativo apontado por ele é a formação ainda escassa dos tutores nas ferramentas oferecidas pelo e-learning. “Gostaria de baixar aulas em podcast para ouvir enquanto faço ginástica, por exemplo”, argumenta.
O potencial da tecnologia, no entanto, é avassalador, em sua opinião. “Imagine que hoje você pode fazer um curso em Berkley ou no MIT [Massachusetts Institute of Technology] sem ter que bancar os custos de viver em outro país”, aponta.
Segundo o presidente da ABED a tendência é que cada vez mais os conteúdos estejam disponíveis online abertamente, para quem quiser aprender. “É um novo modelo, em que as instituições vão lucrar com a oferta de avaliações e certificações”, opina Litto.
Isso não significa, contudo, que o ensino presencial vá morrer. “Há sempre aquele aluno que vai precisar de um professor ao seu lado, passando a mão na sua cabeça e dizendo que ele está fazendo a coisa certa”, provoca o professor.
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