[ Reportagens ]
Com isso, é como se uma cidade inteira virasse um grande hotspot. Essa competição pode, ou não, refletir para os brasileiros. Tudo vai depender dos critérios impostos pela Anatel para o leilão das freqüências que suportam os padrões 3G e WiMax, além do poder de capital dos interessados pela disputa dessas freqüências.
A Neovia, uma das empresas que já utiliza uma das versões do WiMax, oferece o serviço de banda larga sem fio no âmbito residencial ou empresarial. Mas o presidente da empresa, Maurício Coutinho, já divulgou que participará do novo leilão do WiMax (suspenso pela Anatel e sem previsão oficial de data para acontecer) com objetivo de oferecer banda larga móvel fora das residências, assim como a Vivo, Claro, Tim e Oi já oferecem o acesso à internet para celulares, smartphones ou computadores portáteis.
O que não falta são especialistas que apostam no potencial do WiMax móvel, cujos equipamentos finais ainda nem estão disponíveis no mercado. Estudo divulgado pela consultoria Frost & Sullivan mostra que o WiMax tem o potencial de levar serviços de banda larga e voz sobre IP a aproximadamente 2,8 milhões de usuários brasileiros até 2010.
De qualquer forma, o leilão da terceira geração está mais avançado, já que a Anatel acaba de colocar o edital de licitação em consulta pública. Caso seja aprovado o edital, que prevê até metas de universalização para as cidades ainda excluídas do mapa da inclusão digital, o leilão da 3G pode acontecer ainda este ano.
Uma das novidades que o leilão da 3G pode trazer para o Brasil é a tecnologia UMTS/HSDPA, que já foi adotada por mais de 69 países, tem 250 modelos de terminais disponíveis e 117 milhões de usuários no mundo, de acordo com a entidade 3G Americas, que defende o uso do padrão na telefonia móvel.
Tendência
Enquanto os leilões previstos pela Anatel ficam apenas no papel, a indústria aproveita as faixas não-licenciadas para testar os padrões WiMax, Wi-Fi e Wi-Mesh em parceria com órgãos públicos para oferecer internet móvel em localidades que têm carência de redes de acesso à internet.
O caso mais famoso é Piraí, interior do Rio de Janeiro, que em 2005 foi reconhecida em Nova York como um dos sete melhores projetos de tecnologia de comunicação do mundo. Os 23 mil habitantes da cidade têm acesso a serviços online e à internet de alta velocidade sem fio por meio da interligação dos órgãos públicos.
José Trindade Xavier, dono da fábrica Chico Doceiro, é um dos beneficiados desses projetos de inclusão digital, também conhecidos como cidades digitais. Ele é usuário da internet sem fio desde o ano passado, na cidade de Tiradentes, interior de Minas Gerais, onde trabalha com mais dois funcionários e produz 1,2 mil unidades de doces e 50 potes diários.
O projeto, que utiliza a tecnologia Wi-Mesh (com alcance de até 500 metros e freqüência de 2,4 GHz), é resultado da parceria entre a fabricante Cisco e o Ministério das Comunicações, entre outras empresas.
Xavier não paga pelo acesso à internet sem fio. “Precisei apenas comprar uma placa”, conta. Antes, ele chegava a gastar em torno de 300 reais, na fatura telefônica porque tinha acesso discado.
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